Miguel Ángel Manzanas (Espanha)
CURTA-METRAGEM (e III)
Uma
tarde de Inverno.
Uma
cidade qualquer.
Por
um acaso estranho,
não
são de puro vidro
os
nervos da sombra:
o
seu olhar transmite
um
sossego de pedra.
Caminha
lentamente.
Como
se já soubesse a verdade.
Como
se já de ninguém requeresse.
O
seu passo adocicado detém-se:
repousa
o seu périplo
em
alguma livraria;
sai
logo, e, ao sair, tropeça.
Quando
ergue o olhar
é
dominado pelo medo, e empalidece;
é
uma jovem loira muito bonita.
A
rapariga cumprimenta-o: conhecem-se.
A
sombra tenta falar,
mas
é impossível:
a
sua língua não responde,
as
suas mãos são suor. O seu braço esquerdo
um
penoso catálogo de tiques.
Os
seus olhos traçam órbitas erráticas.
E,
de repente, calma. Enlanguesce.
O
seu olhar dispersa-se.
Quando um amor antigo reaparece…:
talvez
a sua reflexão definitiva
segundos
antes de perder a consciência.
CORTOMETRAJE (y III)
Una
tarde de invierno.
Una
ciudad cualquiera.
Por
un azar extraño,
no
son de puro vidrio
los
nervios de la sombra:
su
mirada transmite
un
sosiego de piedra.
Camina
lentamente.
Como
si ya supiese la verdad.
Como
si ya de nadie requiriera.
Su
paso edulcorado se detiene:
reposa
su periplo
en
cierta librería;
sale
muy pronto, y al salir tropieza.
Cuando
alza la mirada
le
domina el temblor, y palidece;
es
una joven rubia muy hermosa.
La
chica le saluda: se conocen.
La
sombra intenta hablar,
pero
es un imposible:
su
lengua no responde,
sus
manos son sudor. Su brazo izquierdo
un
penoso catálogo de tics.
Sus
ojos trazan órbitas erráticas.
Y,
de repente, calma. Languidece.
Su
mirada borrosa se dispersa.
Cuando un amor antiguo reaparece…:
quizás
su reflexión definitiva
segundos
antes de perder conciencia.
Miguel Ángel Manzanas
(Madrid, Espanha, 1980)
Tradução: Sandra Santos


