You are welcome to Elsinore (Mário Cesariy) por Sandra Santos
YOU
ARE WELCOME TO ELSINORE
Entre
nós e as palavras há metal fundente
entre
nós e as palavras há hélices que andam
e
podem dar-nos a morte
violar-nos tirar
do
mais fundo de nós o mais útil segredo
entre
nós e as palavras há perfis ardentes
espaços
cheios de gente de costas
altas
flores venenosas portas por abrir
e
escadas e ponteiros e crianças sentadas
à
espera do seu tempo e do seu precipício
Ao
longo da muralha que habitamos
há
palavras de vida há palavras de morte
há
palavras imensas, que esperam por nós
e
outras, frágeis, que deixaram de esperar
há
palavras acesas como barcos
e
há palavras homens, palavras que guardam
o
seu segredo e a sua posição
Entre
nós e as palavras, surdamente,
as
mãos e as paredes de Elsenor
E
há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras
que nos sobem ilegíveis à boca
palavras
diamantes palavras nunca escritas
palavras
impossíveis de escrever
por
não termos connosco cordas de violinos
nem
todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e
os braços dos amantes escrevem muito alto
muito
além do azul onde oxidados morrem
palavras
maternais só sombra só soluço
só
espasmos só amor só solidão desfeita
Entre
nós e as palavras, os emparedados
e
entre nós e as palavras, o nosso dever falar
Mário
Cesariny
(declamação
por Sandra Santos e vídeo por Juan Manuel Macías)

