Cuaderno Ático #11
A MINHA DOR
A
minha Dor é um convento ideal
Cheio
de claustros, sombras, arcarias,
Aonde
a pedra em convulsões sombrias
Tem
linhas dum requinte escultural.
Os
sinos têm dobres de agonias
Ao
gemer, comovidos, o seu mal ...
E
todos têm sons de funeral
Ao
bater horas, no correr dos dias ...
A
minha Dor é um convento. Há lírios
Dum
roxo macerado de martírios,
Tão
belos como nunca os viu alguém!
Nesse
triste convento aonde eu moro,
Noites
e dias rezo e grito e choro,
E
ninguém ouve ... ninguém vê ... ninguém ...
// Florbela Espanca.
// ilustración de Eric Fortune.


